Recuperação de Dívidas no Brasil em 2026: o que os dados mostram

Moveo AI Team
February 25, 2026
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Janeiro de 2026 marcou um novo recorde histórico na inadimplência brasileira: 81,3 milhões de brasileiros com dívidas em atraso, resultado de 13 meses consecutivos de alta. O número equivale a 49,66% da população adulta do país com o nome restrito.
O problema não é falta de esforço nas operações de cobrança. É falta de inteligência aplicada no lugar certo. Para as instituições financeiras, os dados de 2026 deixam uma pergunta clara no centro da mesa: como transformar volume de inadimplência em volume de recuperação, com eficiência, escala e sem comprometer a reputação?
O retrato da inadimplência no Brasil em 2026
Os números do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa referentes a janeiro de 2026 definem o cenário com precisão.
81,3 mi brasileiros inadimplentes | R$ 524 bi valor total das dívidas |
327,2 mi dívidas ativas no país | R$ 6.453 valor médio por pessoa inadimplente |
A distribuição por faixa etária revela que o endividamento está concentrado na população economicamente ativa: os brasileiros entre 41 e 60 anos representam 35,6% dos inadimplentes, seguidos pela faixa de 26 a 40 anos com 33,4%. Juntos, esses dois grupos somam quase 70% do universo de devedores.
Por segmento de dívida, bancos e cartão de crédito lideram com 26,3%, seguidos de contas básicas como água, luz e gás (22%) e financeiras (19,8%). Quando o endividamento atravessa gastos essenciais, não há ajuste de comportamento de curto prazo que resolva. Isso é inadimplência estrutural.
O impacto é nacional e distribuído de forma desigual. O Amapá lidera o ranking com 65,95% da população adulta inadimplente, seguido pelo Distrito Federal (61,78%) e Rio de Janeiro (58,10%). Mesmo nos estados com menor incidência, como Santa Catarina (39,38%), os índices permanecem elevados.
Um problema estrutural, não conjuntural
A tentação natural é tratar a inadimplência como um fenômeno cíclico que se resolve com mais crédito, mais negociação e mais tempo. Os dados de agosto de 2025 do SPC Brasil contradizem essa leitura com clareza.
83,95% das negativações em ago/2025 foram de consumidores reincidentes
Tempo médio entre vencimento de dívida e nova negativação: 75,6 dias
Indicador de Recuperação de Crédito do SPC Brasil: queda de 12,59% no período
Fonte: SPC Brasil / CenárioMT, setembro 2025
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, avalia o cenário com precisão: o tempo médio para quitação das dívidas é longo e a maior parte dos acordos envolve valores relativamente baixos. A recuperação segue lenta e insuficiente para solucionar a situação financeira do consumidor no longo prazo.
Quando quase 84% das negativações são reincidentes e o tempo médio de retorno ao cadastro de devedores é de apenas 75 dias, o problema não é volume de cobrança. É a ausência de estratégia que atua sobre o ciclo, não apenas sobre a dívida imediata.
Para operações de cobrança, isso muda o critério de sucesso. Não basta fechar o acordo. É preciso entender por que determinado perfil de devedor reincide, em que momento ele está mais propenso a pagar e qual abordagem constrói um acordo que vai além do boleto emitido. Entender propensity to pay como métrica operacional deixou de ser diferencial para se tornar pré-requisito.
Por que o modelo tradicional de cobrança não acompanha mais
O modelo convencional de cobrança foi construído para um contexto que não existe mais. Uma operação baseada em call center consome R$ 9.000 mensais por posição de atendimento, com taxa de contato efetivo cada vez menor e capacidade limitada de personalização.
O problema não é tecnológico. É de premissa. Operar com um único modelo de abordagem para 81 milhões de devedores com perfis, momentos de vida e capacidades de pagamento completamente distintos não é apenas ineficiente. É o caminho mais rápido para perder o acordo antes mesmo de iniciar a conversa.
Há também a pressão regulatória. A LGPD consolidada como requisito obrigatório, com a ANPD aplicando sanções de até R$ 50 milhões por infração, e o Código de Defesa do Consumidor estabelecendo responsabilidade objetiva para falhas de dados colocam compliance como variável operacional, não apenas jurídica.
Enquanto isso, o consumidor inadimplente de 2026 é digital: 124 milhões de brasileiros estão no WhatsApp, o canal de maior alcance do país. Uma operação que não opera onde o devedor está, no momento em que ele pode responder, com uma proposta adequada ao seu perfil, simplesmente não converte.
Para uma análise detalhada do ROI dessa transformação, o artigo ROI da Automação de Cobrança Digital detalha os benchmarks de mercado e os resultados mensuráveis da mudança.
O que as operações líderes estão fazendo diferente
Uma pesquisa conjunta do MIT e da McKinsey publicada em 2025 identificou que empresas líderes em IA registram um gap de desempenho 3,8x maior que as demais em suas indústrias. Nos projetos bem-sucedidos, 77% contavam com patrocínio C-level ativo. O diferencial não está na tecnologia escolhida. Está na disciplina de execução e no alinhamento estratégico desde o primeiro dia.
No contexto de recuperação de dívidas, as operações que estão gerando resultados consistentes combinam três frentes de forma integrada.
Frente 1. IA conversacional para negociação em escala
Agentes de IA conversacional vão muito além da automação de mensagens. Eles entendem contexto, adaptam tom, conduzem a negociação de ponta a ponta e identificam o momento de escalar para um atendente humano quando necessário. Em canais como WhatsApp e SMS, essa capacidade permite operar 24h com empatia e consistência.
Um dos cases mais relevantes para o mercado brasileiro vem da Mobi2buy, empresa B2B2C que utilizou os agentes de IA da Moveo.AI para escalar a recuperação de dívidas de uma das maiores operadoras de telecomunicações da América Latina. O desafio era claro: as soluções anteriores não entregavam conversas hiperpersonalizadas no WhatsApp em português com o nível de eficiência exigido pela operação.
"Nossa parceria com a Moveo.AI foi crucial para impulsionar a inovação no mercado brasileiro. Juntos, criamos um agente de IA para uma das maiores Telcos da LATAM, automatizando e escalando sua recuperação de dívidas com resultados que transformaram a operação." - Executivo Mobi2buy, case de cobrança de dívidas para Telco LATAM
+200K conversas de cobrança por mês - Mobi2buy x Moveo.AI | 58% taxa de recuperação de dívidas -Mobi2buy x Moveo.AI |
2x mais eficaz que chatbot simples - Mobi2buy x Moveo.AI | 51K clientes que quitaram dívidas/mês - Mobi2buy x Moveo.AI |
Frente 2. Segmentação por propensão ao pagamento
No setor de energia e utilities, a Enerwave (anteriormente Elpedison), uma das maiores empresas de energia da Grécia, demonstrou como a segmentação inteligente transforma os resultados da cobrança. O desafio era um dos mais complexos: recuperar pagamentos de clientes com contratos encerrados, sem relacionamento ativo com a empresa.
"A Moveo.AI nos ajudou a atuar em um dos segmentos mais desafiadores da cobrança: clientes que já encerraram seus contratos e tinham saldos em aberto. Com IA conversacional, engajamos esse público de forma respeitosa e proativa. Coletamos mais de 100.000 euros mais rápido do que nunca, com taxa média de pagamento de 6,88% e 29% dos pagamentos concluídos em apenas 10 dias. Com ROI de 19x, a Moveo.AI redefiniu nossa estratégia de cobrança." - Stefanos Antonaros, Customer Applications Product Owner, Enerwave
19x ROI: cada €1 investido retornou €19 - Enerwave x Moveo.AI | 29% dos pagamentos quitados em até 10 dias - Enerwave x Moveo.AI |
33% taxa de pagamento no segmento 61-90 dias - Enerwave x Moveo.AI | 5 dias tempo de implementação da solução - Enerwave x Moveo.AI |
Não toda a carteira de inadimplentes responde igual. Estudos de machine learning aplicado a cobrança apontam precisão de até 77% para prever inadimplência e priorizar contatos. A segmentação inteligente permite direcionar o esforço humano para os casos de maior valor e maior probabilidade de conversão, enquanto a automação atua nos demais perfis.
Uma operação que monitorou resultados com IA segmentada por propensão identificou que 15% dos consumidores de alta propensão e alto valor recebiam atendimento humano premium, 60% eram atendidos com eficácia por agentes autônomos e 25% seguiam estratégia de baixo contato. O resultado foi 18% de melhora na taxa de recuperação com redução de 12% nos custos operacionais. (Fonte: Moveo.AI Playbook 2026)
Frente 3. Omnicanalidade com dados centralizados
A personalização se torna consistente quando todos os dados e interações do cliente estão centralizados em um único sistema. Cada ponto de contato, WhatsApp, SMS, e-mail ou voz, alimenta o seguinte. A régua inteligente ajusta canal, proposta e momento em função do comportamento observado. Nada se perde entre as interações.
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A camada que muda o jogo: memória
A diferença entre automação e inteligência que se compõe está em uma variável que a maioria das operações ainda ignora: memória.
Quando um sistema registra que determinado perfil de devedor abre mensagens à noite, mas não responde de manhã, que pagou a primeira parcela em 48h na última negociação, que aceita desconto, mas rejeita parcelamentos longos, esse histórico transforma a próxima abordagem.
Cada interação gera dados que refinam a próxima. Cada negociação bem-sucedida informa como abordar perfis semelhantes no futuro. O ROI não é linear. Ele se compõe ciclo após ciclo.
Como a memória transforma a cobrança na prática
Um devedor abre a mensagem no WhatsApp, mas não responde. O sistema registra. Na próxima tentativa, oferece desconto diretamente, sem negociação intermediária.
Um devedor quitou a primeira parcela em 48h. Esse padrão informa como abordar perfis semelhantes na próxima campanha.
Um devedor recusou três propostas de parcelamento longo. O sistema ajusta automaticamente a próxima oferta para quitação à vista com desconto maior.
Compliance como arquitetura, não como checklist
LGPD com sanções de até R$ 50 milhões por infração. CDC com responsabilidade objetiva. ANPD consolidada como autoridade ativa. O ambiente regulatório de 2026 transforma compliance de preocupação jurídica em variável operacional.
Operações que tratam compliance como limitação perdem duplamente: no risco jurídico e na qualidade da abordagem ao devedor. Uma cobrança invasiva, em horário inadequado, com dados processados fora das normas da LGPD, não apenas expõe a empresa a sanções. Ela destrói a propensão do consumidor a negociar.
Operações que tratam compliance como arquitetura da solução constroem vantagem. A cobrança humanizada, que respeita o perfil emocional do consumidor, opera dentro das normas e oferece condições acessíveis, não é apenas eticamente correta. É financeiramente superior.
→ Para operações que precisam estruturar comunicações de cobrança dentro das diretrizes regulatórias, o guia Modelos de Cartas de Cobrança de alta conversão oferece templates e diretrizes práticas de compliance.
A janela de oportunidade: R$ 997 bilhões disponíveis para negociação
Os dados do Serasa Limpa Nome de janeiro de 2026 mostram que, apesar do volume de inadimplência recorde, o mercado de renegociação está ativo e em crescimento.
620 mi ofertas disponíveis para negociação | R$ 997 bi valor total disponível em ofertas |
4,1 mi acordos fechados em janeiro/2026 | R$ 795 valor médio dos acordos fechados |
Em janeiro de 2026, foram concedidos mais de R$ 11,1 bilhões em descontos, com 3,1 milhões de consumidores fechando acordos. O perfil de quem negocia é majoritariamente feminino (56,2%) e concentrado na faixa de 30 a 40 anos (30,9%).
O mercado não está parado. A demanda por renegociação existe e é expressiva. A pergunta para as operações de cobrança é direta: minha estrutura está preparada para capturar essa demanda com eficiência, escala e custo operacional sustentável?
Vale também considerar o impacto dos ciclos sazonais. A restituição do Imposto de Renda representa uma das janelas de maior ROI para operações de recuperação de crédito, injetando bilhões na economia entre maio e setembro.
O que os dados de 2026 pedem para as operações de cobrança
81,3 milhões de inadimplentes, R$ 524 bilhões em dívidas, reincidência de 84% e indicador de recuperação em queda. Volume de cobrança não resolve esse quadro. Inteligência resolve.
As operações que estão gerando resultados expressivos partiram de uma mudança de premissa: não se trata de abordar mais devedores, mas de abordar cada devedor com a informação certa, no canal certo, no momento certo, com uma proposta adequada ao seu perfil e histórico.
Isso requer três coisas trabalhando juntas: IA conversacional que escala sem perder qualidade, análise comportamental que segmenta por propensão real e uma camada de memória que acumula inteligência a cada ciclo.
A McKinsey documentou o gap: empresas líderes em IA registram 3,8x mais impacto que as demais. O dado mais revelador não é o tamanho do gap. É a velocidade com que ele aumenta.
Para as operações de cobrança no Brasil, 2026 é o ano da execução. Quem implementar inteligência composta agora constrói vantagem que se acumula. Quem aguardar perde espaço que é cada vez mais difícil de recuperar.
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